Sonoridades: A riqueza musical da trilha de Sete Vidas

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Em tempos onde as trilhas sonoras das novelas andavam dominadas por músicas de gostoso duvidoso, eis que a luz do fim do túnel surgiu e Sete Vidas estreou. A novela da seis, escrita por Lícia Manzo, teve seu o desfecho e além de apresentar uma trama superatraente, ainda trouxe uma trilha impecável que contribuiu para o espectador se apaixonar diariamente pela história.

Nomes que vão de Caetano Veloso a Luiza Possi integraram uma lista de canções que se encaixavam perfeitamente nas cenas e histórias dos personagens. A começar pela complicada relação do casal principal da trama. Pedro (Jayme Matarazzo) e Júlia (Isabelle Drummond) se apaixonaram à primeira vista em uma manifestação política, mas logo descobriram que eram irmãos gerados por um mesmo doador de um banco de sêmen.

A conexão imediata dos personagens e a revelação do grau de parentesco levaram ambos a momentos de fuga para não terem que admitir o real sentimento, além de um punhado de autopunição e repulsa por não controlarem seus pensamentos. E no meio disso tudo Cássia Eller dando sonoridade às cenas do casal com “All Star”, especificamente com o trecho “Estranho seria se eu não me apaixonasse por você”. Frase que expressava claramente a história dos irmãos que não conseguiam segurar o amor que sentiam um pelo outro e não conseguiam também entender que tipo de paixão era aquela. Ah.. e só para tranqüilizar os mais conservadores que acham essa história toda uma blasfêmia: logo depois eles descobriram que não eram irmãos, ok ?

Já o outro casal principal da trama também ficou longe de viver um romance descomplicado. Ligia e Miguel, interpretados por Débora Bloch e Domingos Montagner, viveram uma paixão intensa e aos trancos, barrancos e distanciamentos. Ela se jogava de cabeça no amor, enquanto ele fugia de algo mais sério sempre que podia. “Medo de amar” de Nana Caymmi era a faixa perfeita para a situação onde uns dos versos dizia: “E já que o amor acabou, se esqueça de mim; Porém não se surpreenda se uma outra mulher nascer de mim”.

E quando o assunto era medo de envolver, Miguel tratava logo de botar o seu barco no mar e fugir para longe, mergulhando de cabeça em seu trabalho de oceanógrafo. E não teria música melhor que “Cais”, na voz de Caetano Veloso, para retratar essa necessidade de fuga para não ter que enfrentar os problemas da vida. Mas quando estava tudo bem entre os dois, era Roberta Sá a encarregada de apaziguar tudo com “Medo de amar nº 2”, gravada especialmente para a novela e que caiu como uma luva em sua voz.

Os protagonistas sempre têm o privilégio de ganhar mais do que uma música na trilha. No caso da personagem de Débora Bloch não dava para deixar a oportunidade passar e não colocar a canção “Ligia”, na voz de Chico Buarque, para embelezar seus momentos. Cenas que em determinado momento da história foram divididas com Vicente (Ângelo Antonio) com quem ela se casou ao achar que Miguel havia morrido em um acidente de barco na Antártica. Na verdade, ele escapou da morte e foi parar em Fernando de Noronha, onde se reencontrou com Marina (Vanessa Gerbelli), seu amor do passado, e foi ai que “A sua” de Marisa Monte deu uma força para lembranças de vários anos ressurgirem.

Vicente, por sua vez, também se envolveu com a personagem de Eline Porto (Luísa) que viveu uma cantora e em sua primeira cena apareceu fazendo uma linda versão ao violão de “Eu e a Brisa” de Wilson Simoninha, virando assim a música do casal. Luisa também chegou a interpretar “Sem você” de Chico Buarque em uma momento da história em que os dois entraram em conflito devido a diferença de 20 anos de idade entre ambos. Já deu pra perceber que rola um certo rodízio de casais nessa trama, não é ? Sim. Pedro e Julia também se separaram e ela se envolveu com Felipe (Michel Noher), o irmão do ex-amado. E para um casal novo, uma nova música. As cenas dos dois ganhavam um tom ainda mais romântico quando os versos de “Sorte ou Azar” de Cazuza apareciam de plano de fundo.

A canção que compõe a abertura da novela não poderia deixar de ser citada onde Tiago Iorc faz uma bela versão do clássico “What A Worderful World” de Louis Armstrong. Vale a pena também falar de faixas como “Na Primeira Manhã” de Mônica Salmaso e a versão de “Terra”, de Caetano Veloso, cantada por Paulinho Moska. A lista ainda abre espaço para a charmosa Mon Coeur N’est Plus Doux” de Tó Brandileone, passando pela sofisticada “Forever Green” de Tom Jobim – que quase sempre era executada sob a companhia de imagens do Rio de Janeiro – e assim chegando na poética “Errática” de Gal Gosta. E não para por aí, jovens artistas como Dani Black, Luiza Possi e a já veterana de trilhas Maria Gadú, que pode ser ouvidas em duas músicas, também ganharam espaço no time de ótimos artistas que participam da trilha, respectivamente, com “Deixe o barco ir”, “Pra te lembrar”, “Like a Rose” e “Long Long Time”.

Além de uma trama realmente encantadora e que prendeu o telespectador do começo ao fim – coisa que não era produzida há anos – Sete Vidas deu de presente aos admiradores das novelas o prazer de ver e ouvir novamente um texto bem escrito casado com músicas que realmente tem um significado poético e cultural. É uma pena a novela ter sido tão curta e que a emissora ainda prefira priorizar as fracas produções constantes das nove com longos meses de “encheção de lingüiça”, onde as histórias chegam ao fim sem pé nem cabeça. Que Lícia volte logo com nova história e trilha apaixonantes, porque o público certamente agradecerá. Palmas!

Sobre o autor

Ricardo

Respira música e faz dela a melhor opção de terapia diária. Relações Públicas e amante da MPB.

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