Resenha: Caetano Moreno Zeca Tom Veloso (BH – 07.10.2017)

Fotos: Luciana Loura

Quando uma família nasce para produzir talentos, não há quem possa impedir. Já não bastou a saudosa Dona Canô ter dado a luz a duas das maiores estrelas que a música brasileira já conheceu, ainda é possível ver que todo esse talento vem chegando a novas gerações. Caetano Veloso entrou em turnê com seus três filhos e juntos eles criaram o show “Caetano Moreno Zeca Tom Veloso”, turnê que passou por Belo Horizonte, em apresentação no Palácio das Artes, e que traz toda a musicalidade que uma família pode ter.

Como sempre, há más línguas que insistem em dizer que os filhos pegam carona na fama do pai, mas quem presta pelo menos um pouco de atenção neles consegue ver que não é bem essa a verdade. É possível ser inserido e estimulado ao meio artístico sem soar como cópia de um parente que seja considerado ícone. Moreno, Zeca e Tom Veloso mostram que o DNA cheio de poesia do pai pulsa bem em cada um deles, mas felizmente de forma bem natural. O show deles flui do início ao fim exatamente como deve ser: com espontaneidade. E logo ao abrir as cortinas, sem fazer muito alarde, os quatro surgem no palco ao som de um clássico daqueles: “Alegria, Alegria”.

A união do quarteto em cena não deve fugir muito do que certamente eles fazem em casa em um encontro de família. Reunião que deve acontecer com uma pitada generosa de amor, amizade e cumplicidade e que eles demonstram um pelo outro o tempo inteiro no palco. Dessa forma, eles reuniram um repertório que diz muito sobre as suas histórias de vida e universo familiar. Canções que transmitem sentimentos como alegria, amor, respeito, fé e saudade. Os passos que Caetano deu para chegar ao topo do sucesso se encontram com os passos que ele vem dando com os filhos e também com a caminhada que ele permitiu que eles fizessem por conta própria, o que rendeu grandes canções, tanto solo quanto em parcerias com outros artistas.

Enquanto o patriarca embalou a plateia com muitos dos seus grandes hits como “A Tua Presença”, “Trem das Cores”, “Oração ao Tempo” e “Reconvexo”, ele também abriu espaço para apresentar o talento da sua prole individualmente. Cada um teve o seu momento de brilhar e assim fizeram muito bem. O primeiro foi Zeca que, com a voz mais peculiar dos quatro, apresentou sua composição “Todo Homem” (2017); seguido por Moreno e a sua interpretação de “Um Passo à Frente” (2005) e finalmente chegando a Tom que cantou a belíssima “Um Só Lugar” (2015), canção que inclusive já teve um incrível registro na voz da Roberta Sá.  

O interessante do show é que cada artista tem uma personalidade e timbre completamente diferentes e mesmo assim as quatro vozes funcionam muito bem na mistura. Enquanto Moreno e Zeca se mostram mais tímidos, Caetano e Tom são aqueles que se jogam de cabeça no ritmo. Tom se jogou tanto que até arriscou uns passinhos de dança na faixa inédita “Alexandrino”, composta por Caetano e que tem influências do funk carioca.

Dentre as várias parcerias em família, uma que mereceu destaque foi a música “Um Canto de Afoxé Para o Bloco de Ilê”, primeira composição de Caetano e Moreno, numa época em que ele tinha apenas nove anos e já aspirava a força musical que se espalha pela família. Além disso, Moreno ainda compartilhou que o pai pediu que ele aprendesse uma de suas músicas e ele escolheu “O Leãozinho”, que hoje ele faz questão de cantar para o seu filho. E o que o público espera é que isso acabe virando uma bela tradição entre os novos Velosos que chegarem neste mundo. A música certamente agradecerá no futuro!

Caetano Moreno Zeca Tom é um show que celebra a família e a união e mostra que cada membro do clã Veloso tem luz própria e pode traçar seu caminho de sucesso. Não é à toa que todos eles já vêm fazendo isso. Nada melhor que ter o privilégio de caminhar neste meio sob os olhares e bênçãos de um dos mestres da música e ainda poder chamá-lo de pai. Caetano com certeza tem do que se orgulhar e definitivamente as novas gerações Veloso também terão.

 

 

1. Alegria alegria
2. O seu amor
3. Boas vindas
4. Todo homem
5. Genipapo absoluto
6. Um passo à frente
7. Clarão
8. De tentar voltar
9. A tua presença morena
10. Trem das cores
11. Um só lugar
12. Alexandrino
13. Oração ao tempo
14. Alguém cantando
15. Ofertório
16. Reconvexo
17. Você me deu
18. O leãozinho
19. Gente
20. Sertão
21. Não me arrependo
22. Um canto de afoxé para o bloco do Ilê
23. Força estranha
24. How beautiful could a being be

Bis:
25. Canto do povo de um lugar
26. Um Tom
27. Deusa do amor
28. Tá escrito

Sobre o autor

Central

Respira música e faz dela a melhor opção de terapia diária. Amante da MPB.

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