Entrevista: Julia Bosco

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Fotos: Donatinho/Divulgação

Julia Bosco lançou o segundo álbum, “Dance Com Seu Inimigo”, recentemente, e conversou com a gente sobre a gravação do trabalho; da sua relação com o músico Donatinho – seu namorado e produtor do disco, além de algumas curiosidades sobre o conceito pensado para a escolha do repertório.

Inicialmente, o álbum se chamaria “Da Boca Pra Dentro” e você rebatizou de “Dance Com Seu Inimigo”. Por que resolveu fazer essa mudança ?

Na verdade, inicialmente, eu estava em dúvida entre os dois títulos e resolvi fazer uma enquete na minha página. O primeiro ganhou com uma diferença pequena sobre o outro, que também levou muitos votos. Mas, logo depois, eu descobri que já havia outros dois discos homônimos e por isso resolvi mudar.

Depois, entendi que tudo isso foi apenas manobra do cosmos para que eu escolhesse, de fato, o melhor título. Hoje, não imagino esse disco com outro nome. O discurso todo é feito baseado nesse contexto de “dançar com o inimigo”, em vez de se deixar intimar por ele.

E você tinha em mente essa linha dançante desde o início ou ela foi ganhando forma ao longo das primeiras gravações ?

Eu tinha em mente que queria fazer um disco pop e arrojado, em que eu cantaria em um registro mais agudo, porque fiquei insatisfeita justamente com esses pontos no meu disco anterior. No entanto, quem direcionou o disco para essa linha dançante foi meu produtor, Donatinho, que sacou o que eu queria e não conseguia dizer, e ainda foi além.

As músicas do álbum transitam bastante entre amor e sexo e é bem capaz de alguém convidar o inimigo para dançar e acabar se atraindo fisicamente por ele. Então podemos dizer que o seu álbum ajuda a dar o veredicto daquelas relações que começam com ódio e terminam em casamento ?

A aplicabilidade do tema é muito pessoal e vai de cada um. Mas, dentro de um contexto da gente se aceitar e vencer medos, frustrações e encarar os desejos de frente, acho que cabe tudo isso. No meu caso, falar de sexo e de sexualidade é muito recorrente em minhas mensagens, eu só trouxe isso para dentro de um disco e com essa proposta de conceito.

Você é namorada do produtor do álbum. O relacionamento e a ligação musical de vocês contribuíram para que o trabalho chegasse a esse resultado ? Como foi a experiência ?

Tudo está ligado, claro. Acho que a afinidade e a confiança ajudam. Porém, a relação do produtor com o artista passa basicamente por uma escolha de estilo. Eu gosto do estilo dele e queria absorver isso no meu trabalho, sem deixar de fora a minha própria onda. Nesse caso, estar sempre perto foi positivo.

Se a sua relação com o Donatinho não existisse além da música, você acha que este álbum seria diferente ? Ele te ajudou a despertar alguma habilidade que não sabia que tinha ?

Não sei dizer se seria diferente, só sei que foi como a gente queria. Acho que ele, como todo bom produtor, consegue despertar musicalmente o melhor de mim.

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A música “Tanguloso” retrata uma relação bem carnal entre duas pessoas. Ela tem um tom autobiográfico ? Você acha que ir direto ao ponto, como na letra da música, é a chave para conquistar alguém ?

Essa letra brinca com as aproximações virtuais, que geralmente são desprovidas de muitos filtros e pulam etapas do conhecimento social. Não é especificamente autobiográfica, mas também é. Todo mundo passa por isso em tempos de Facebook. A contrapartida do tango, uma música tão sofisticada, é justamente para se opor e colocar em foco, em evidência, o tom vulgar do texto. Acho que a chave para conquistar alguém é sair do raso.

Como foi a experiência de gravar com a Tulipa Ruiz e como foi feito o convite ?

Tulipa sempre foi uma grande referência musical para mim, em forma e conteúdo. Essa vontade de gravar com ela é antiga. Aproveitei que Donatinho tem uma relação próxima e fizemos o convite através dele. Essa música, que é fruto de uma parceria tripla com Juliana Sinimbu e Marcela Bellas, foi ficando com a cara da Tulipa no estúdio e o convite pareceu o caminho natural para ela. A gravação foi só alegria, Tulipa é gente como a gente, um amor de pessoa e totalmente à serviço da música.

Qual diferença da Julia Bosco de “Tempo” para a Julia de “Dance Com Seu Inimigo” ?

Tanta coisa mudou, que eu nem sei por onde começar. Prefiro dizer que aquele tempo foi muito importante, mas passou.

Quais sentimentos você gostaria de despertar nas pessoas que ouvirem o álbum ? O que você espera que aconteça ?

Primeiro, eu queria que elas dançassem. Depois, que ouvissem com ouvidos atentos e se amassem, se aceitassem como são, e parassem de viver a vida em função do outro, da opinião do outro, da pressão do outro, do desejo do outro. Gente é pra brilhar, como diria Caetano. O que eu espero? Olha, eu espero conseguir falar para o maior número possível de pessoas, porque música para mim é um meio que me permite propor um diálogo, ou deixar uma mensagem.

 

Para ouvir o álbum “Dance Com Seu Inimigo”, clique aqui.

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Sobre o autor

Ricardo

Respira música e faz dela a melhor opção de terapia diária. Relações Públicas e amante da MPB.

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